Rosildo Oliveira
De seu nome
completo Rosildo Corrêa de Oliveira, nascido a 25 de Agosto
de 1957, do outro lado do oceano, em terras do Brasil, mais
propriamente, na bela cidade de Goyanna, no Estado de
Pernambuco.
Há uns
anos atrás, quando nos encontrámos na Rádio
Bonfim [ainda no estúdio da Chamusca], neste nosso programa
de rádio, conversámos alguns minutos de microfone
aberto, divulgámos a sua música e ficámos
Amigos do peito [como se diz na minha terra] e Irmãos de
rádio.
Desde esse
tempo, o Rosildo já participou inúmeras vezes em
emissões do Palavras e Música. De uma dessas
participações ficaram estas palavras, agora em
registo escrito.
Caro Amigo
Rosildo, com que idade começou a cantar?
Comecei quando tinha 7 anos na
Escola, era uma festa no Cine Nacá em minha terra natal,
Goyanna. Ainda lembro da canção: Pára Pedro,
Pedro pára.
Somos da
mesma geração e lembro-me de, em criança,
escutar essa canção por vozes brasileiras [não
sei os seus nomes], na rádio portuguesa.
Rosildo,
memórias desse tempo...
A vontade de cantar estava
sempre presente, lembro-me das brincadeiras com o meu irmão
Reginaldo. Fazíamos shows para nossos amigos, meu
irmão fazia a bateria nas costas do sofá, era o
máximo.
E...
há quanto tempo canta como profissional?
Canto
desde que falo, porém, profissionalmente desde 1970, quando
tinha 13 anos era o crooner da Banda de Baile JACKSON BILL E SEUS
PUPILOS.
Ao longo da
sua carreira, contando os editados no Brasil e em
Portugal, quantos discos já gravou?
Gravei 9 discos, mas, apenas 7
foram editados, os outros dois não ficaram prontos (Carutana
e Paixão) nunca foram editados.
Quais os
discos editados?
Alpha
- Compacto Duplo, 1982; Rosildo Oliveira - Compacto Duplo,
1984; Meu Chão, LP, 1988; Coisas do
Nordeste, 1995; Coisas do Nordeste, Portugal,
1997; A Caminho D'Além-mar, 2000;
Pássaro Fugitivo, Portugal, 2003.
Onde é que já realizou
espectáculos?
No Brasil, vários...
Não dá pra dizer todos. Eis alguns: Rio de Janeiro,
no Teatro da Aliança Francesa em Copacabana; São
Paulo, no Teatro Conchita de Moraes; Recife, no Teatro do
Parque; João Pessoa, nos Teatros: Santa Roza e Paulo
Pontes. E nos seguintes países: Paraguai, Cuba, Inglaterra,
Portugal.
O que
significa a música, para si?
Tudo, minha própria vida.
Costumo dizer o seguinte: CANTO PORQUE O CANTAR ESTA EM MIM COMO A
VIDA.
Sonhos de criança... Quando for
grande...
Meu sonho continua a ser e
será sempre um grande sonho, levar a minha música ao
máximo de pessoas possíveis. Parte deste sonho vejo
realizado, pois desde menino sonhava cantar e, com certeza,
faço-o com prazer e gozo.
Vir
para Portugal foi (é) um regresso às
origens?
Sem duvida é um regresso
às minhas origens, e ando à procura delas. Na
música e na vida.
Como
é viver em Portugal, para quem nasceu no
Brasil?
É diferente, os costumes, o
povo e sua alegria. No nosso país pobres e ricos são
e estão sempre alegres, por cá a grande maioria
é triste e cheios de tabus, preconceitos. Nós estamos
sempre abertos para o mundo, eis nossa grande diferença e
para as novas amizades, desde que sejam
sinceras.
Como vai a música em
Portugal?
Vai mal, no que diz respeito a boa
música do meu país, o Brasil. É claro, o
que se consome de nossa música aqui é na grande
maioria das vezes o lixo. Mas a culpa é das editoras que
só querem saber de mexer a bundinha da galera. Cultura
não interessa a eles. São letras pobres e sem nenhum
sentido. Sinto muita pena que se toque pouco; Chico Buarque, Milton
Nascimento, Maria Bethânia, Luís Melodia,
Fátima Guedes e tantos
outros.
Acontece o mesmo com a música
portuguesa, apesar que, depois da Campanha feita por Sérgio
Godinho, Vitorino, José Cid e outros, já ouvimos mais
boas músicas, que maravilha! Mas existem muito boas obras
por aparecer, mas que não encontram apoio por parte das
editoras que alegam: "este trabalho não é comercial!"
Claro que não é, porque não toca!...
Qualquer música se torna comercial, basta haver um bom
trabalho de
divulgação.
Falando da Chamusca. Pode-se afirmar que
há Fado Chamusquense?
Com certeza, basta ouvir Manuel
João Ferreira.
Se fosse descoberta a máquina de
viajar no tempo e pudesse viajar nela, o que
faria?
Faria tudo outra vez, com alguns
acertos, porém com convicção que nasci para a
música.
Sente-se realizado (pessoalmente e
profissionalmente)?
É obvio que não,
há sempre caminhos a trilhar, quer na vida, quer na
profissão e por mais que eu pense, acho mais para pensar e
realizar.
Projectos. . . .
Tenho vários; de entre eles
levar meu CD PÁSSARO FUGITIVO para toda
Europa...
[Créditos
Musicais - Música de fundo: Rosildo de Oliveira -
Talvez ou quase nada - in CD
"Pássaro Fugitivo", música
e letra de Rosildo
Oliveira]
Comentários